
Como reduzir nossas emissões de gases do efeito estufa, mantendo a nossa presença ativa nos territórios durante os projetos em que atuamos? Essa é uma das perguntas que orientam o Plano de Ação Climática da Raízes, que reúne compromissos para a nossa operação e para o trabalho com os territórios.
Estar perto das comunidades faz parte da nossa atuação, mas esses encontros também exigem deslocamentos que deixam uma pegada no clima. Com horizonte de 2026 a 2035 e revisão anual, o Plano de Ação Climática da Raízes parte do inventário de emissões de 2025 e estabelece 12 metas, com responsáveis e prazos de acompanhamento. Sua construção aproxima compromissos que temos assumido como Empresa B, certificada desde 2014, e como signatária da Declaração de Glasgow sobre Ação Climática no Turismo, à qual aderimos durante a COP30, em Belém, em 2025.
Esse percurso ganhou apoio na participação do Empresas B pelo Clima e a Natureza, iniciativa do Sistema B que reuniu empresas certificadas da América Latina e do Caribe para avançar na implementação dos novos padrões do B Lab relacionados à ação climática, à gestão ambiental e à circularidade. A proposta combinou formação técnica com aprendizagem entre empresas, reconhecendo que enfrentar esses desafios também depende de compartilhar experiências.
Participamos do módulo de Ação Climática, com mentoria da Mitsidi, acompanhados por Rox Correa, e trabalho em grupo com as empresas brasileiras Mazô Maná, representada por Rafael Sposito, e Marketing Sustentável, por Márcio Mendes. As atividades trouxeram orientações sobre medição da pegada de carbono e elaboração de planos, incorporando a justiça climática às decisões das empresas.
“Como resultado, entregamos, dentro do prazo, uma versão preliminar do nosso Plano de Ação Climática, participamos ativamente das mentorias em grupo e dos encontros coletivos e fomos pré-selecionadas para concorrer aos reconhecimentos do programa! O processo também nos ajudou a organizar práticas que já faziam parte do trabalho da Raízes, identificar pontos de melhoria e estabelecer metas que possam ser acompanhadas ao longo do tempo”, explica Anna Ferreira, nossa consultora de ESG.
O que muda na nossa operação?
O inventário realizado pela Eccaplan registrou 13,677 toneladas de CO₂ equivalente em 2025. Cerca de 83% das emissões contabilizadas vieram de viagens de média distância, que incluem os deslocamentos para acompanhar projetos e comunidades. Por isso, uma das prioridades é melhorar o planejamento das agendas de campo, reunindo atividades e organizando rotas para evitar viagens que possam ser combinadas.
O plano também prevê ampliar o uso de transporte coletivo e incentivar caronas nos deslocamentos em que isso for possível. Até dezembro de 2026, a meta é ter origem, distância e tipo de transporte registrados em 95% das viagens a negócios. Esses dados vão permitir acompanhar os resultados das mudanças e orientar os próximos inventários.
A compensação das emissões já fazia parte da nossa trajetória e, atualmente, com a Eccaplan, compartilhamos também como a compensação da Raízes apoia o projeto Cerâmica Kamiranga, no Pará. O plano mantém esse compromisso e estabelece ações para diminuir as emissões na origem. Também prevê registrar a consulta a alertas climáticos antes das viagens de campo, considerando os riscos que eventos extremos podem trazer para a equipe e para as atividades nos territórios.
Escuta ativa na tomada de decisões
Mudar uma agenda de visitas pode afetar quem espera por uma formação ou pelo acompanhamento de um projeto. Por isso, o plano prevê ouvir as comunidades antes de alterar formas de atuação que as envolvam, incorporando seus conhecimentos às decisões. Reduzir a pegada da nossa operação exige considerar essas relações e as condições de cada lugar. Mais do que mitigar o carbono das nossas operações, temos refletido sobre como gerar impacto positivo no clima à partir do que levamos para os territórios.
É nessa perspectiva que estamos desenvolvendo o Re.Clima, metodologia própria de Justiça, Mitigação e Adaptação Climática. Com módulos adaptáveis aos projetos, a proposta é aproximar o debate climático do cotidiano das comunidades, identificando como as mudanças já afetam suas vidas e quais respostas podem ser construídas localmente. A meta é aplicar pelo menos uma hora da metodologia em 30% a 40% dos projetos pertinentes até dezembro de 2027.
Essa abordagem já está prevista no trabalho de fortalecimento do turismo e da economia criativa no Vale do Catimbau, em Pernambuco, que inclui a aplicação integral do Re.Clima ao longo do projeto.
Essa frente também reconhece a relação entre desigualdades e vulnerabilidade climática. A experiência da Raízes com autonomia feminina e fortalecimento de comunidades integra o plano pela contribuição à capacidade de adaptação e à justiça climática. Os resultados vão ser acompanhados por indicadores próprios, sem que a gente os contabilize como redução das emissões da empresa.
O clima é o nosso compromisso constante!
A Declaração de Glasgow orienta a ação climática no turismo pelos caminhos de mensurar, descarbonizar, regenerar, colaborar e financiar. O compromisso coletivo é reduzir as emissões do setor pela metade até 2030 e alcançar emissões líquidas zero antes de 2050.
Nosso plano reconhece que as ações de redução inicialmente previstas ainda ficam abaixo dessa trajetória. A cada inventário, o Comitê de Sustentabilidade deverá revisar os resultados e as metas. Em 2028, com os dados de 2026 e 2027, está prevista a definição da meta de redução da Raízes para 2030. Publicar esse documento é abrir o acompanhamento do que nos propomos a fazer. Queremos que ele ajude a orientar escolhas dentro da Raízes e estimule conversas com quem trabalha conosco.
Convidamos você a conhecer o Plano de Ação Climática da Raízes e pensar em como esses compromissos podem ganhar espaço também na sua organização e nas relações com os territórios!
Esse compromisso também nos acompanha durante a COP31, que acontece em novembro, em Antalya, na Turquia. Nossa diretora executiva, Mariana Madureira, vai estar por lá e vai fazer uma cobertura participativa para o Turismo Spot, além de participar de um painel do Ministério do Turismo com a ONU Turismo intitulado “Abordagens Regenerativas para a Ação Climática no Turismo”, que será realizado no dia 19 de novembro, das 15h15 às 16h15, no Pavilhão Brasil (Auditório Mutirão Global). Vamos compartilhar os bastidores e um diário dessa experiência no nosso Instagram e no LinkedIn, te aproximando das conversas e reflexões que surgirem pelo caminho. Vem com a gente?
