JEDI não é ficção científica: é justiça, equidade, diversidade e inclusão

Falta pouco para o Star Wars Day: 4 de maio. “May the 4th be with you”. Vai ter camiseta do Yoda, frase do Darth Vader e post do Obi-Wan em tudo quanto é canto. Quem me conhece, sabe: sou fã. Mas tem um outro JEDI circulando por aí. Escrito igual. Falado… mais ou menos. E esse não tem nada a ver com a Ordem, a Força ou o Império Galáctico.

Esse JEDI vai além da referência cultural: é sobre Justiça, Equidade, Diversidade e Inclusão. E ele já está bem presente nas conversas sobre impacto, certificações e futuro dos negócios.

 

O que significa JEDI?

Vamos por partes:

J de Justiça – não dá para tratar todo mundo igual se o ponto de partida nunca foi igual. Justiça é reconhecer isso e tentar reparar o que foi historicamente desigual; 

E de Equidade – é sobre ajustar o que cada pessoa precisa para conseguir chegar no mesmo lugar. Porque nem todo mundo começa da mesma linha;

D de Diversidade – gente diferente na mesa. Origens raciais e étnicas, identidades de gênero, territórios, histórias. Só que diversidade sozinha não resolve nada, se não vier junto de mudança real;

I de Inclusão – é quando essas pessoas conseguem, de fato, participar. Não só estar ali. É prática, não discurso.

No papel, parece simples. Na vida real, mexe com estruturas. E isso nem sempre é confortável.

Por que isso importa agora

Primeiro, porque o mercado está mudando. O B Lab já vem reforçando cada vez mais a integração de justiça, equidade, diversidade e inclusão na evolução dos padrões da certificação B Corp, que a Raízes possui desde 2014

Segundo, porque funciona. Estudos da McKinsey & Company mostram que empresas com mais diversidade têm maior probabilidade de desempenho acima da média. E talvez o principal: porque não dá mais para ignorar. Modelos de impacto desenhados sem escuta real estão sendo cada vez mais questionados.

Na prática: isso já acontece

A verdade é que a gente não precisa inventar nada muito novo por aqui. O que a Raízes faz no dia a dia já carrega isso. Faz parte do nosso jeito de trabalhar:

  • Justiça aparece quando valorizamos saberes que foram invisibilizados;
  • Equidade quando eliminamos barreiras, não como ato de caridade mas de direito, abrindo caminhos reais de participação que fluem;
  • Diversidade quando reconhecemos identidades e contextos diferentes;
  • Inclusão quando comunidades estão no centro das decisões, não na margem.

Algumas iniciativas ajudam a visualizar isso melhor:

Gente de Fibra
Artesãs e artesãos de Maria da Fé (MG) que transformam fibra de bananeira em arte, renda e pertencimento.

Aldeia Juerana
Etnoturismo liderado por jovens indígenas Pataxó, criando autonomia a partir da própria cultura.

Mãos à Moda Almenara
Moda sustentável e empoderamento feminino no Vale do Jequitinhonha, com criação da marca Almenara Têxtil.

Comunidade Quilombola do Buri
Turismo de base comunitária em Conde (BA), valorizando ancestralidade e saberes locais.

Se quiser aprofundar, dá para ver mais dos nossos projetos e cases no site aqui.

O papel da Raízes nisso

Se você chegou até aqui, talvez já esteja percebendo: o modelo antigo de fazer projetos sem apoio de base e contexto está ficando ultrapassado. A gente aprendeu isso na prática. Não existe solução pronta. Existe conversa, território e construção conjunta.

Nosso processo de assessment começa com perguntas, não respostas: quem está sendo incluído e quem está ficando de fora sem ninguém perceber? Como está a diversidade na liderança e na cadeia de valor? O projeto foi desenhado com a comunidade ou para a comunidade?

A partir daí, ajudamos a mapear pontos cegos e construir caminhos práticos, seja para fortalecer a gestão interna ou para estruturar projetos de impacto conectados ao território.

Não importa se você já é B Corp, se está em processo de certificação ou se nunca ouviu falar nisso. O que importa é a disposição para fazer diferente e tentar ser melhor pro mundo. 

E agora?

Ficou claro que JEDI, o acrônimo, não é sobre sabre de luz. É sobre responsabilidade. Sobre escutar ativamente antes de concluir. Sobre ajustar o olhar e o método para um efeito participativo real, regenerativo e autonômico. 

A Raízes tem quase duas décadas de estrada nisso e continua aprendendo, como uma boa padawan. Se fizer sentido pra você e sua empresa, vem conversar com a gente

Que a força, a de verdade, a que vem da justiça, esteja com você. E o 4 de maio também.

Por Anna Ferreira.