Certificação B: Raízes avança jornada com programa da NC State University

Às vezes, é preciso que alguém de fora se aproxime para que a gente enxergue com outros olhos aquilo que construímos há tantos anos, não é mesmo? E foi assim que a Raízes Desenvolvimento Sustentável concluiu, agora em julho de 2026, sua participação no MBA Business Sustainability in Emerging Markets Practicum, programa internacional organizado pela Campus B em parceria com a professora e co-fundadora da B Academics, Jessica Yinka Thomas, da North Carolina State University, nos Estados Unidos. A iniciativa conectou estudantes de pós-graduação a três Empresas B brasileiras — Raízes, Linus e Creators by Truth — para o desenvolvimento de projetos práticos relacionados à sustentabilidade, à mensuração de impacto e à Certificação B.

Durante algumas semanas, um grupo formado pelos estudantes Elizabeth Kearse, Sarah Jane Simpson, Julia Lattarulo, Sal Vera, Japre Ellis e pelo coach Miguel Maysonet estudou o modelo de atuação da Raízes, nossos projetos, indicadores e formas de sistematizar resultados. O trabalho teve como base referências de ferramentas do B Lab, como o B Impact Assessment e o SDG Action Manager, além dos novos padrões da Certificação B. Mais do que receber um olhar técnico, tivemos a oportunidade de revisitar nossa própria trajetória por meio das perguntas e percepções de pessoas que estavam conhecendo a Raízes pela primeira vez. 

A participação também aconteceu em um momento especialmente importante pra gente, pois estamos em processo de recertificação como Empresa B. Publicados em 2025, os novos padrões estabelecem requisitos mínimos de desempenho socioambiental, ampliam a exigência de evidências verificáveis e preveem compromissos progressivos ao longo dos ciclos de certificação. 

Um olhar internacional sobre o modelo da Raízes

A jornada começou com encontros virtuais entre os estudantes, professores, coaches e representantes das empresas participantes. Nessas conversas, apresentamos nossa trajetória, nosso modelo de negócio e a maneira como acompanhamos os impactos gerados nos territórios.

Lucila Egydio, coordenadora de projetos da Raízes, participou dos encontros e nos representou na atividade presencial que aconteceu dia 22 de junho, em São Paulo. “Entrei no projeto quando a jornada já estava em andamento, porque a Mariana queria que eu representasse a Raízes no encontro presencial. Participei das reuniões com os estudantes para que eles entendessem o que é a organização, como trabalhamos e de que forma sistematizamos nossas métricas e indicadores”, conta.

O encontro reuniu estudantes da North Carolina State University e da Universidade de São Paulo (USP), além de representantes das três Empresas B, da Campus B e do Sistema B Brasil. A programação combinou uma conversa sobre os novos parâmetros de avaliação com um momento dedicado à discussão de cada estudo de caso.

 

Posição singular 

Na apresentação final, os estudantes destacaram que a Raízes ocupa uma posição singular no campo da sustentabilidade. Segundo eles, nosso modelo combina a sustentabilidade financeira de uma consultoria com uma atuação próxima às comunidades, aos empreendedores locais e às organizações que vivem e trabalham nos territórios. Essa configuração permite que recursos, conhecimento técnico e oportunidades sejam conectados às demandas comunitárias. 

Para o grupo, a Raízes funciona como uma ponte entre empresas, governos, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais e pequenos negócios, transformando parcerias institucionais em processos concretos de desenvolvimento territorial.

Os estudantes também reconheceram contribuições consistentes em áreas como geração de renda, fortalecimento de comunidades, preservação do patrimônio cultural, conservação ambiental, turismo responsável e construção de redes de colaboração.

A análise relacionou a atuação da Raízes principalmente a três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável: o ODS 8 — Trabalho Decente e Crescimento Econômico; o ODS 11 — Cidades e Comunidades Sustentáveis e o ODS 17 — Parcerias e Meios de Implementação.

No ODS 8, foram valorizados o apoio a micro e pequenos empreendimentos, a incubação de negócios, o estímulo ao comércio justo, o fortalecimento de cadeias produtivas locais e o desenvolvimento do turismo sustentável. Já a relação com o ODS 11 aparece na gestão sustentável dos territórios, na proteção dos patrimônios cultural e natural e na participação das comunidades nas decisões que afetam seus modos de vida. O ODS 17 atravessa o próprio modelo de trabalho da Raízes, baseado na articulação entre diferentes setores, conhecimentos, recursos e atores sociais.

Leia também: Com quais metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável você contribui?


O desafio: demonstrar o impacto ao longo do tempo

Uma das principais conclusões do trabalho foi que a Raízes possui um impacto sólido e reconhecível. O desafio está em tornar esse impacto cada vez mais mensurável, comparável e verificável. “O que os estudantes apontaram não foi uma ausência de impacto. Pelo contrário, eles fizeram uma leitura muito cuidadosa do que a Raízes já construiu. A recomendação foi melhorar a forma como organizamos, acompanhamos e comunicamos esses resultados”, afirma Lucila.

A participação no programa trouxe uma ótima oportunidade de observar a nossa história a partir de um olhar externo, acadêmico e internacional. Ao mesmo tempo, permitiu que esses estudantes se aproximassem da realidade brasileira. Foram muitas as sugestões estratégicas indicadas e que vamos seguir, mostrando cada vez mais consistência no nosso propósito.

“Foi muito interessante perceber estudantes de outro país dedicando semanas a entender como trabalhamos. Eles reconheceram a consistência da nossa atuação e, ao mesmo tempo, trouxeram caminhos bastante práticos para aprimorarmos a organização das evidências, os indicadores e o acompanhamento dos projetos”, completa.


Celebrando duas décadas, entendemos que a Certificação B, sistematizar conhecimentos e demonstrar resultados seguem sendo formas de cuidar do legado construído… E seguimos construindo!