
Imagine a beleza de ver e viver a floresta amazônica do alto e pelas águas… Nas Serras Guerreiras de Tapuruquara, as caminhadas levam a mirantes de onde se veem a floresta e os caminhos do Rio Negro, enquanto os deslocamentos de barco conduzem os visitantes às experiências indígenas. Ali, ouvir quem vive nele faz parte de conhecer o lugar, descobrindo o que as serras representam para as comunidades, incluindo os povos originários.
É nesse território, na região de Santa Isabel do Rio Negro, no Amazonas, que começa mais um trabalho da Raízes em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA). Desta vez, o convite é para fazer uma avaliação comercial e elaborar um plano de ação para as Serras Guerreiras de Tapuruquara, buscando entender como aproximar o roteiro de mais viajantes interessados nessa experiência.
Para isso, estamos começando a conversar com as comunidades e com quem participa dessa história, incluindo a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Prefeitura de Santa Isabel do Rio Negro. A escuta também envolve a Poranduba, responsável pela comercialização atual, e a Garupa, que apoiou o desenho do roteiro em sua fase de criação, há cerca de dez anos.
Experiências indígenas: uma Amazônia apresentada por quem mora nela
O que acontece entre uma subida à serra e a chegada à próxima comunidade? Boa parte da viagem. Nos percursos pelo Rio Negro, nas refeições e nas atividades compartilhadas com os anfitriões, os visitantes vão conhecendo um território onde vivem diferentes povos indígenas, com presença importante do povo Baré.
As expedições nasceram de uma construção com as comunidades e sua associação, a ACIR, junto às organizações parceiras. É um roteiro de base comunitária e multiétnico, em que os moradores participam da organização das experiências e recebem os viajantes para compartilhar um pouco de sua vida na região.
Há duas possibilidades de conhecer as Serras Guerreiras. O Maniaka tem uma proposta mais voltada às vivências culturais e exige menos esforço físico. Inclui visitas às roças e oficinas de cerâmica, além de atividades como a construção de canoas. Já o Iwitera reúne três subidas às serras e pede mais disposição para caminhar, com percursos até Jacuraru, Yacawení e Tapira.
As duas opções permitem conhecer a região acompanhando o ritmo da viagem pelo rio e os encontros nas comunidades. Os detalhes estão na página das expedições da Poranduba, que passou a integrar a iniciativa em 2023 e também faz parte do Coletivo MUDA! pelo Turismo Responsável (tal qual a Raízes).
O nome Serras Guerreiras guarda uma história do próprio território. Segundo as narrativas das experiências indígenas apresentadas nos materiais do roteiro, as montanhas são guerreiros transformados em serras. Conhecer essas histórias com quem as conta dá outro sentido à paisagem que se vê durante a caminhada.
Um roteiro com história e novos passos pela frente
Depois de cerca de dez anos de construção, há muito a aprender com quem participou das primeiras expedições dessas experiências indígenas e com quem segue recebendo os visitantes. O trabalho da Raízes começa por reunir essas experiências, compreender o momento atual do roteiro e investigar suas possibilidades de comercialização.
Como uma viagem com essas características encontra as pessoas que gostariam de fazê-la? Para responder, estamos ouvindo também operadores que já visitaram a região em viagens de familiarização, os chamados famtours, além de outros que podem vir a trabalhar com o destino.
Quem esteve nas primeiras etapas conhece as escolhas feitas na criação do roteiro. A operadora atual acompanha as dúvidas dos viajantes e o processo de venda. As comunidades, por sua vez, conhecem de perto o que acontece quando os grupos chegam e o que a atividade representa em seu cotidiano. Cada conversa ajuda a entender uma parte desse funcionamento.
“A avaliação comercial vai reunir esses olhares para identificar dificuldades e possibilidades de tornar o roteiro mais competitivo. A partir dela, o plano de ação vai orientar os próximos passos, considerando tanto a experiência de quem já trabalha com as Serras Guerreiras quanto as oportunidades de aproximação com outros operadores”, explica Mariana Madureira, diretora executiva da Raízes.
Há uma viagem sendo oferecida e há pessoas dedicadas a fazê-la acontecer. É com elas que queremos entender o que pode melhorar, para que mais viajantes conheçam essa Amazônia vista do alto e apresentada, de perto, por seus moradores. Siga nos acompanhando no site e nas mídias sociais para saber mais!
