
Vivemos uma crise que vai muito além dos números. A economia global, tal como está organizada hoje, opera em desacordo com os limites do planeta e com as necessidades reais das pessoas. O resultado é um sistema que concentra riqueza, aprofunda desigualdades e pressiona ecossistemas até o colapso. Não por acaso, dados científicos indicam que a humanidade já ultrapassou sete dos nove limites planetários, colocando em risco a estabilidade climática e a própria capacidade da Terra de sustentar a vida.
Esse alerta aparece de forma didática e contundente no modelo dos limites planetários, amplamente difundido por pesquisadoras e redes internacionais comprometidas com novas economias. Recentemente, o Sistema B compartilhou esse diagnóstico ao lançar uma nova pesquisa chamada “A natureza dos negócios: práticas climáticas e ambientais de Empresas B”. É possível acessar na íntegra aqui.
Por que falar em “reivindicar” a economia?
A campanha Reclaim the Economy (em português, Reivindique a Economia) parte de uma pergunta simples e poderosa: a economia está a serviço de quem?
Reivindicar a economia é reconhecer que ela não é uma força abstrata ou inevitável, mas uma construção social. E, como tal, pode (e deve) ser redesenhada para servir ao bem-estar coletivo, à justiça social e ao equilíbrio ecológico. Essa mobilização internacional propõe uma virada de chave: sair de um modelo extrativista e orientado ao crescimento infinito para avançar rumo a economias regenerativas, capazes de restaurar ecossistemas, fortalecer comunidades e respeitar os limites da Terra.
Regenerar economias: do conceito à prática
Na Raízes, esse debate não é novo. Ele atravessa pesquisas, publicações e ações concretas que conectam desenvolvimento local dos territórios. Um exemplo é o e-book sobre regeneração, que reúne reflexões e caminhos possíveis para regenerar não apenas a natureza, mas também as relações econômicas. Entre os destaques, está o texto “Regenerar a economia”, que aprofunda como princípios regenerativos podem orientar políticas públicas, iniciativas comunitárias e negócios comprometidos com impacto positivo.
A publicação dialoga diretamente com esse momento global de revisão de paradigmas, mostrando que outras economias já estão sendo experimentadas, muitas delas a partir dos territórios, dos saberes tradicionais e das práticas colaborativas. Você pode baixar gratuitamente aqui.
Conexões globais, vozes diversas
Esse debate ganha dimensão internacional por meio de redes como a Wellbeing Economy Alliance (WEAll) e o Post-Growth Institute, que articulam pesquisas, campanhas e publicações sobre economias do bem viver, pós-crescimento e regeneração. Na última semana um encontro virtual do WEALL marcou o ínicio da campanha que terá ações em vários lugares do mundo.
Nossa diretora Mariana Madureira participou desse encontro e tem compartilhado alguns desses conteúdos — inclusive sobre turismo indígena e novas economias — em inglês no LinkedIn para ampliar o alcance dessas reflexões para além do contexto brasileiro.
Aqui no Brasil é possível fortalecer o movimento assinando a petição!
A ideia é que várias vozes no mundo todo ecoem essa necessidade de pensar (e aplicar) outras economias.
Reivindicar a economia é, no fundo, reivindicar a vida!

