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Desenho de projetos: 3 dicas para um resultado positivo nos territórios

O desenho de projetos social, ambiental ou de desenvolvimento territorial parece, à primeira vista, uma tarefa técnica: definir objetivos, metas, cronograma, orçamento. Mas, na prática, muitos projetos fracassam ou geram impactos limitados por nascerem de premissas equivocadas.

É comum que organizações saibam o que querem mudar, mas não consigam traduzir essa intenção em um briefing claro, conectado com o território, com as pessoas e com os contextos reais onde o projeto vai ser implementado. O resultado são iniciativas bem-intencionadas, porém construídas de cima para baixo, que não dialogam com quem vive o dia a dia do lugar.

E afinal, o que pode ser feito? Continue com a gente aqui neste texto que vamos dizer! Na Raízes, aprendemos ao longo de quase duas décadas que bons projetos começam pela escuta.

1 – Identificar o problema (às vezes não é a falta de ideia, mas a falta de escuta)

Muitas empresas, institutos e organizações chegam até nós com uma demanda legítima: querem desenvolver um projeto social ou ambiental, estruturar uma agenda ESG, fortalecer sua atuação territorial ou gerar impacto positivo de forma consistente.

O desafio é que, muitas vezes, esse desejo ainda não se transformou em um briefing maduro. Falta tempo interno, equipe especializada ou experiência acumulada para organizar informações, alinhar expectativas e compreender as reais necessidades dos públicos envolvidos.

Do outro lado, quem executa projetos no território também sente essa lacuna. 

Sem um processo estruturado de escuta, corre-se o risco de planejar ações para públicos que não são prioritários, propor soluções desalinhadas ou investir energia em estratégias que não respondem às demandas reais das comunidades. É nesse ponto que a mediação se torna essencial.

Esse processo não parte de respostas prontas. Ele começa com perguntas. Ao longo de poucos meses, realizamos uma escuta qualificada que envolve:

  • Conversas com atores locais e públicos estratégicos
  • Compreensão do contexto territorial, social, ambiental e institucional
  • Um mapeamento inicial das dinâmicas, desafios e oportunidades
  • Alinhamento de expectativas, objetivos e capacidades reais

2 – Desenhar um projeto criativo e único

Para implementar um projeto criativo e único parte fundamental é entender o público, as potencialidades, as demandas, as limitações. Entender o que o território quer e como isso se vincula ao que o proponente pretende oferecer. Um bom projeto parte de uma entrega de valor muito única e consistente e à partir dela podemos pensar objetivos claros (metas), formas de alcançá-los (ações), tempo necessário (cronograma), recursos humanos e materiais (orçamento) e formas de identificar se atingirmos o que nos propusemos (indicadores).

Por vezes, os profissionais contratantes subestimam a importância de um projeto bem desenhado, estratégico, em consonância com os desejos dos envolvidos e adequados à realidade que uma hora ou outra se impõe. Projetos descolados da realidade, isto é, realizados sem escuta, estratégia e design, cobram seu preço no momento da execução. O orçamento não fecha, o cronograma é insuficiente, a ação não tem efeito… Por isso o tempo e os recursos investidos nessa etapa são preciosos.

O resultado é um desenho de projeto mais consistente, conectado com o território, com objetivos claros e com maior potencial de gerar impacto positivo — seja em projetos sociais, ambientais, culturais ou ligados a estratégias ESG.

3 – Fazer com quem faz há muito tempo

Chegando aos 20 anos agora em 2026, a Raízes desenha e implementa projetos em diferentes territórios do Brasil, sempre em diálogo com comunidades, organizações locais, poder público e iniciativa privada. Essa trajetória nos ensinou que projetos bem-sucedidos não nascem apenas de boas intenções, mas de processos cuidadosos, construídos a muitas mãos.

Em dezenas de projetos e em processos extensos de entrevistas e diagnósticos, uma demanda aparece com frequência: organizações querem ajuda não apenas para executar, mas para pensar junto, estruturar, priorizar e desenhar.

Especialmente em contextos onde áreas como sustentabilidade, impacto social ou ESG estão sendo criadas ou fortalecidas, é natural que falte uma agenda específica para o desenho de projetos. Contar com quem já percorreu esse caminho reduz riscos, otimiza recursos e aumenta a chance de resultados consistentes.

Projetos sociais bem-sucedidos começam antes da execução

Quando um projeto nasce a partir da escuta e de um desenho estratégico, ele tende a:

  • Ser mais aderente às necessidades do território
  • Ter maior engajamento dos públicos envolvidos
  • Evitar retrabalho e desperdício de recursos
  • Construir relações de confiança desde o início
  • Gerar impactos mais duradouros

A partir dessa experiência, a Raízes estruturou um processo de escuta e desenho de projetos com duração de três meses, pensado para apoiar organizações que desejam planejar melhor suas ações antes de implementá-las.

Mais do que entregar relatórios ou planos, o que propomos é um processo de construção conjunta, que respeita os tempos do território e fortalece a tomada de decisão de quem contrata.

Se a sua organização já sabe que quer atuar em 2026, este é o momento de escutar, compreender e desenhar com cuidado. Projetos de impacto não se improvisam, eles se constroem. E escutar é o primeiro passo para fazer melhor.