
Há 20 anos estruturando projetos já nos deparamos muitas vezes com resistências no território de beneficiários que já foram entrevistados diversas vezes por consultorias, ONGs e agentes estatais (para diagnóstico de projetos) ou por pesquisadores. Infelizmente muitas das pesquisas não retornam para os territórios e muitos projetos são abandonados na fase de reconhecimento das necessidades. O resultado é uma frustração legítima.
Do lado dos clientes, há uma percepção de perda de tempo e de recursos quando essa etapa se estende ou quando, por ventura, ela já foi realizada em outro momento – como nos casos que já mencionamos anteriormente. E nesse caso fica a pergunta: dá pra pular essa etapa e começar um projeto sem um diagnóstico da atual situação do território?
A resposta é não. Mas a forma de realizar esse “diagnóstico de projetos” – que gostamos mais de chamar de mapeamento – pode variar muito em método, tempo e recursos a depender de cada contexto.
Mapeamento como leitura do território
Antes de qualquer proposta, plano ou intervenção, existe uma etapa de base que é fundamental: entender profundamente o território. Para a Raízes, o mapeamento de territórios não é apenas um levantamento técnico, é um exercício de escuta, observação e leitura cuidadosa das dinâmicas que moldam cada lugar.
Cada território é vivo. Ele carrega histórias, conflitos, fluxos, relações e forças que nem sempre aparecem à primeira vista. É por isso que mapear vai muito além de identificar pessoas ou instituições: envolve reconhecer tudo aquilo que atua e influencia aquele espaço, humana ou não humanamente.
O mapeamento realizado pela Raízes parte de uma combinação entre tecnologias, dados e presença em campo. Um olhar para o histórico permite compreender como aquele lugar se formou, se transformou e quais caminhos percorreu até o presente.
Em campo, o foco se amplia. O território passa a ser observado como um sistema de relações: comunidades, organizações, infraestruturas, recursos naturais, atividades econômicas e até elementos como rios, empreendimentos ou áreas de conflito. Tudo isso compõe as dinâmicas locais e ajuda a revelar como o território funciona de fato. Esse processo criterioso permite construir um retrato da realidade atual, não como algo estático, mas como um conjunto de interações em constante movimento.
Mapear, nesse sentido, é reconhecer o território como ele é, respeitando suas complexidades, para que as ações futuras façam sentido, dialoguem com o contexto local e tenham potencial real de transformação. É sobre isso que falamos no nosso vídeo “Como mapeamos um território”, no qual compartilhamos o olhar da Raízes sobre como o diagnóstico de projetos orienta nosso trabalho.
Confira abaixo!
